Mercado de TI no Brasil: panorama e tendências para 2026 segundo o estudo da ABES

Resumir com IA
ChatGPTClaudePerplexityGeminiDeepSeekMistralGrokMeta AI
Mercado de TI no Brasil em 2026: tendências e dados ABES

Resumo executivo | O mercado de TI no Brasil cresceu mais rápido que a média mundial em 2025 (18,5% perante 14,1%), reafirmando o Brasil como a 10ª maior potência tecnológica global. O País consolidou um total de US$ 67,8 bilhões de investimentos no setor em 2025 e projeta um crescimento de 5,3% para 2026, abaixo da média global prevista de 9,7%, mas alinhado a uma fase de maior maturidade do setor.

Impulsionado pela Inteligência Artificial e pela onipresença da computação em nuvem, o mercado de TI brasileiro caminha para uma maturidade orientada à eficiência operacional, escala e serviços gerenciados. Este cenário posiciona o Brasil como o principal mercado emergente do setor e líder na América Latina com quase 40% dos investimentos regionais.

O que diz o estudo da ABES sobre o mercado de TI no Brasil em 2026?

O estudo “Mercado Brasileiro de Software 2026” da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a empresa americana de inteligência de mercado International Data Corporation (IDC) revela que, apesar das incertezas econômicas e políticas, o setor segue em expansão e continua sendo puxado por tendências estruturais como Computação em Nuvem, Inteligência Artificial e digitalização dos negócios. 

IndicadorDadoFonte
Crescimento esperado para o mercado de TI brasileiro em 2026 5,3%ABES/IDC, 2026
Investimento total em TI no Brasil em 2025US$ 67,8 bilhõesABES/IDC, 2026
Crescimento esperado da participação do mercado de TI do Brasil na América Latina de 2025 para 2026De 34,7% para 38,4%ABES/IDC, 2026

Análise detalhada do crescimento setorial

Embora o ritmo de crescimento projete uma desaceleração em comparação aos 18,5% registrados em 2025, os dados evidenciam uma inflexão importante no mercado brasileiro: após um período de crescimento superior ao do mercado global, o Brasil passa a apresentar um ritmo mais moderado, alinhado a uma fase de maior maturidade do setor.

O avanço de 5,3% reflete uma fase de consolidação de investimentos pesados feitos anteriormente em hardware, infraestrutura básica e a adoção acelerada de novas tecnologias. Além disso, o aumento da participação regional demonstra a resiliência do setor e a continuidade dos investimentos estratégicos no país.

Em 2026, o investimento corporativo, excluindo dispositivos de consumo, deve crescer 4,6%, com prioridades claras em terceirização (outsourcing), serviços gerenciados e nuvem. Esse movimento demonstra que as lideranças de tecnologia estão focadas em otimizar o ROI e garantir a sustentabilidade das operações digitais.

Composição do mercado de TI no Brasil

A análise da distribuição dos investimentos entre 2024 e 2025 revelou um comportamento atípico, especialmente no segmento de hardware. Tradicionalmente, este mercado registrava um crescimento estável, porém modesto, com taxas inferiores a 5% ao ano. Entretanto, no último ano, o hardware registrou um salto expressivo de 20,6%.

A explicação para esse salto está diretamente ligada à nova onda de investimentos em IA. A Inteligência Artificial está impulsionando investimentos em infraestrutura, especialmente data centers e equipamentos necessários para suportar essa tecnologia. Este movimento prepara o terreno físico para a posterior maturidade das aplicações.

Segmento de TIInvestimento 2024 (US$)Investimento 2025 (US$)Crescimento (%)
Hardware26,9 bilhões32,5 bilhões20,60%
Software17,9 bilhões21,7 bilhões21,40%
Serviços12,4 bilhões13,6 bilhões9,70%

Esse perfil revela uma característica típica de mercados ainda em processo de amadurecimento tecnológico: uma participação relativamente alta de hardware. Mesmo assim, a presença crescente de software e serviços indica uma evolução gradual do ecossistema digital brasileiro.

O estudo também analisa o grau de maturidade dos investimentos em TI. Em mercados avançados, a participação de software e serviços tende a ser maior, pois são áreas associadas à inovação e transformação digital. O Brasil, contudo, demonstra estar alinhado à média global. 

Categoria de investimentoMédia global (%)Distribuição Brasil 2025 (%)
Hardware47%47,90%
Software31%32,10%
Serviços22%20,00%

Ao mesmo tempo, esse cenário revela uma oportunidade clara de evolução. À medida que avançamos na digitalização, a tendência é que software e serviços ganhem mais relevância, impulsionados por modelos em nuvem, inteligência artificial e serviços gerenciados. É esse movimento que vai aproximar o Brasil dos mercados mais maduros e ampliar a geração de valor no setor.

Conheça a BRSA – Agência de Comunicação e Marketing B2B para empresas de TI.

Quais fatores influenciam a previsão de crescimento mais cautelosa para o mercado de TI em 2026?

O cenário de investimentos em tecnologia para 2026 é marcado pela cautela devido a incertezas geopolíticas, inflação persistente e juros elevados. Além disso, o calendário político brasileiro, com as eleições presidenciais e estaduais, naturalmente reduz a velocidade de tomada de decisão das empresas.

Fator de influênciaTipo de impactoFonte
Eleições presidenciaisCautela em novos projetosABES, 2026
Reforma TributáriaIncerteza sobre custos operacionaisABES, 2026
Juros e inflaçãoPressão sobre o custo de capitalABES, 2026

Desafios econômicos e políticos

A dinâmica econômica de 2026 será influenciada por fatores específicos que podem gerar desafios estratégicos de produtividade. Entre os elementos citados pelo estudo da ABES, destacam-se a implementação da Reforma Tributária e a polarização política. Segundo Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES, “2026 é um ano de eleições presidenciais e isso naturalmente traz mais cautela para as empresas”.

Eventos como a Copa do Mundo também podem impactar o calendário corporativo e a produtividade. Contudo, apesar deste cenário mais conservador, a expectativa é que tecnologias emergentes continuem turbinando negócios. “A nuvem e principalmente a Inteligência Artificial, sobretudo a IA Generativa, seguem como os principais vetores de investimento”, reforça o executivo.

As 10 previsões da IDC para o mercado de TI no Brasil em 2026

O estudo da ABES ainda traz as dez principais transformações para o ano mapeadas pelo IDC. O destaque, claro, fica para a IA que deixará de ser uma ferramenta isolada para se tornar a infraestrutura central das comunicações e produtividade. O foco migra de chatbots simples para agentes autônomos e dispositivos inteligentes.

As previsões detalhadas no estudo da ABES são:

  1. Explosão na demanda por Data Centers | O crescimento gerado por IA exigirá áreas mais robustas e híbridas, com foco em segurança e desempenho.

  2. Nuvem como núcleo da IA | Cerca de 69% dos líderes de TI brasileiros elegem o Cloud como o modelo preferencial para o consumo de IA generativa.

  3. Ascensão dos agentes de IA | Os agentes inteligentes se tornam a próxima evolução do software, automatizando processos complexos e redefinindo a orquestração de serviços.

  4. IA na cibersegurança | O uso de IA para defesa e ataque torna-se padrão, impulsionando gastos com serviços de segurança para além de US$ 2,5 bilhões, um crescimento de 14,8% em relação ao ano anterior.

  5. IA nas comunicações | A tecnologia sustentará redes auto-otimizáveis, reduzindo custos operacionais e permitindo a personalização massiva de serviços.

  6. Maturação e consolidação da fibra | Operadoras focarão em eficiência operacional e diferenciação B2B, com penetração de fibra superando 85% dos domicílios até 2027.

  7. Integração nativa de satélites LEO | A conectividade via baixa órbita será nativa em redes terrestres, ampliando a cobertura em regiões remotas, de difícil acesso e pouco atendidas e levando ao crescimento de 65% na base de acessos no Brasil.

  8. Expansão de M2M e desativação do 2G | Conexões M2M e LP-WAN devem ultrapassar 65 milhões até 2026, enquanto o espectro 2G é liberado para fortalecer 4G e 5G.

  9. Dispositivos “AI-Ready” | Estima-se que 75% das vendas de dispositivos em 2026 terão capacidades de IA embarcadas, crescendo 15% enquanto dispositivos sem IA devem recuar 33%. O mercado inicia a transição de uma lógica comoditizada para um modelo orientado à geração de valor, com foco em diferenciação tecnológica e integração.

  10. Escassez estratégica de memórias | A demanda global por IA faz o mercado priorizar componentes de alta performance para servidores em detrimento de hardware convencional, o que pode causar falta de componentes para dispositivos comuns e reajustes de preço de até 50%.

Como a inteligência artificial está moldando o mercado de TI?

A IA deixou de ser uma tendência para se tornar a infraestrutura central das comunicações e a próxima evolução do software. Estima-se que 75% das vendas de dispositivos em 2026 possuam capacidades de IA embarcada para produtividade e segurança.

Fator de IAImpacto em 2026Fonte
Gastos com implementação de IA> US$ 3,4 bilhõesABES/IDC, 2026
Smartphones com IA (Participação)88% do valor de mercadoABES/IDC, 2026
Gastos com IA em Telecom> US$ 300 milhõesABES/IDC, 2026

A ascensão dos agentes de IA

Segundo as previsões da IDC para 2026, os agentes de IA se posicionam como o novo vetor transformador do desenvolvimento de software. Estes agentes não apenas otimizam sistemas, mas atuam como habilitadores de eficiência operacional severa, simplificando a orquestração entre plataformas e dados.

O ano de 2026 será o ponto de inflexão para o uso de agentes inteligentes na automação de processos complexos. Contudo, a segurança e a governança continuam sendo os principais obstáculos para uma adoção ainda mais acelerada nas organizações brasileiras.

Qual é o papel da nuvem no futuro da tecnologia brasileira?

A nuvem (Cloud Computing) consolidou-se como a base onipresente sobre a qual as empresas estruturam suas iniciativas de segurança, dados e IA. Em 2026, o mercado de infraestrutura em nuvem (IaaS) deve avançar 18,6% no Brasil, alcançando um valor de US$ 4,4 bilhões.

De acordo com o estudo da ABES, 69% dos líderes de TI brasileiros priorizam a Cloud como modelo preferencial para o consumo de IA generativa. Isso ocorre devido à necessidade de ambientes escaláveis de alto desempenho que apenas os provedores de nuvem conseguem oferecer sob demanda.

A interdependência entre nuvem e IA é tão forte que a IDC estima que quase 38% de todos os gastos com inteligência artificial no país serão direcionados para infraestrutura baseada em nuvem em 2026.

Quais os desafios para o mercado de TI em 2026?

Apesar do otimismo, o setor enfrenta gargalos estruturais importantes. A aceleração dos investimentos em IA gerou uma escassez global de memórias (RAM e Flash), impactando diretamente os prazos de entrega de equipamentos de alta potência.

  1. Energização de Data Centers | A demanda saltou de 5-10kW/rack para mais de 50kW/rack, exigindo investimentos urgentes em distribuição elétrica.

  2. Cibersegurança | A IA está remodelando o campo de batalha cibernético, permitindo ataques mais sofisticados e automatizados.

  3. Escassez de componentes | A priorização de memórias para servidores de IA reduziu a oferta para dispositivos de entrada, elevando preços entre 10% e 50%.

Conclusão: o protagonismo do Brasil no mercado global de TI

O mercado brasileiro de tecnologia atingiu um novo nível de relevância global. Com quase 40% do investimento da América Latina, o Brasil consolidou sua posição como o principal mercado regional. Em 2025, os investimentos em TI na América Latina totalizaram US$ 176,6 bilhões, e o Brasil respondeu por 38,4% desse total.

O potencial do país está colocado de forma indiscutível. Os dados indicam que o Brasil ainda possui espaço considerável para crescer e assumir um protagonismo maior. Se o País conseguir ampliar os investimentos em inovação e infraestrutura digital, poderá aproximar sua participação no mercado global de tecnologia do peso real de sua economia.

Para investidores internacionais, isso significa que qualquer estratégia de expansão na região precisa necessariamente considerar o Brasil como mercado prioritário. 

FAQ | Outras dúvidas sobre o mercado de TI no Brasil

1. Quais ações são fundamentais para que o Brasil alinhe sua participação no mercado global de TI ao peso de sua economia?

O país precisa ampliar os investimentos em inovação e infraestrutura digital robusta. Segundo o estudo da ABES, reduzir o gap entre o tamanho do PIB brasileiro e sua fatia no mercado mundial de TI (hoje em 1,6%) exige foco em capital humano e modernização de dados.

2. Por que a participação do Brasil no mercado global de TI ainda é considerada abaixo do seu potencial econômico?

Embora o PIB brasileiro represente cerca de 2% da economia global, os investimentos em TI correspondem a apenas 1,6% do total mundial. Segundo Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES, se essa proporção fosse equilibrada, o país teria cerca de US$ 20 bilhões adicionais em investimentos, gerando mais empregos, arrecadação e protagonismo internacional.

3. Qual subcategoria de serviços de TI lidera a expansão em 2026 e por quê?

O mercado de Hosting & Infrastructure Services (HIS) e Data Centers deve crescer 18,1%. Esse movimento é impulsionado pela necessidade de processar volumes massivos de dados gerados pela Inteligência Artificial e pela expansão das redes 5G.

4. Quais segmentos do mercado de TI apresentam as maiores taxas de crescimento projetadas para 2026?

As maiores taxas de expansão estão concentradas em Hosting & Infrastructure Services (HIS) e Data Centers (18,1%), seguidos por Cibersegurança (14,8%) e dispositivos com IA (15%). Esse avanço é sustentado pela necessidade de processamento para grandes volumes de dados de IA e pela consolidação da infraestrutura 5G.

5. Como o Brasil se posiciona frente aos seus pares na América Latina em volume de investimentos em tecnologia?

O Brasil é o líder absoluto, detendo 38,4% da participação regional. Para se ter uma ideia, o México, segundo colocado, responde por 24,2%, o que coloca o mercado brasileiro como o hub tecnológico central da região.

6. Qual é a mudança de paradigma na segurança cibernética brasileira para 2026, segundo o estudo da ABES?

A cibersegurança evoluiu de uma barreira técnica para um pilar estratégico de governança e continuidade de negócio. A área, que já era prioridade para 36% das empresas brasileiras em 2025, se consolida como um dos principais pilares estratégicos em 2026. O foco do mercado de TI agora é a transição da proteção reativa para a gestão contínua de riscos, utilizando arquiteturas Zero Trust e Inteligência Artificial.

Receba novos conteúdos como este em seu e-mail.

Caixas de marcação

Sumário

Autor(a):
Viviane Celente é jornalista e analista de conteúdo B2B na BRSA. Especializada em copywriting e redação SEO/GEO/AEO para o mercado corporativo, conecta narrativas de marca a metas comerciais, com foco em fortalecimento de reputação e geração de demanda.

Mais posts de Viviane Celente: